Santanense e namorada fazem sucesso nas redes sociais compartilhando sua vida em um veleiro



O santanense Michel Icart e sua namorada, Marina Rosa escolheram viver em um veleiro, registrar seu dia a dia nas redes sociais e se tornaram um fenômeno, acumulando mais de 3 milhões de seguidores em suas redes sociais. No Instagram, você pode conferir o trabalho deles através do @motionme_


A reportagem do Sentinela 24H conversou com Michel, que contou como começou essa aventura e quais os próximos passos agora, onde ele revelou um ousado projeto do casal que já está em andamento.


Como você e a Marina se conheceram?


Nós nos conhecemos nos Estados Unidos, estávamos fazendo intercâmbio, a gente recebeu bolsas de estudos lá para fazer uma parte da faculdade lá. Nós não nos conhecíamos, a Marina era do Ceará e eu de Livramento. Fomos para lá em 2013, nos conhecemos lá e viramos muito amigos, e após começamos um relacionamento. E a partir dai, do relacionamento, começamos a pensar o que iriamos fazer na volta, depois que terminássemos a faculdade, afinal nós queríamos morar juntos e a gente não queria ficar em um local só. Começamos a pensar nas possibilidades e, na verdade, o que nós queríamos era ser nômades, viajar e conhecer o mundo e poder levar o nosso trabalho e nossa casa junto com a gente.



De onde surgiu a ideia de viver a bordo de um veleiro?


Em um primeiro momento, a gente teve a ideia de ter um motorhome, e aí viajar de carro, até que durante minhas pesquisas, eu comecei a pesquisar sobre essas possibilidades, e surgiu em um dos livros que eu estava lendo, surgiu sobre ter um veleiro e viajar o mundo nele, morar em um barco. Para a gente, no momento em que eu li isso, achei fantástico porque sempre quando a gente tinha uma folga, férias ou algum final de semana livre, tentávamos viajar para algum lugar que tivesse o mar. A gente sempre foi muito conectado com o mar, eu sempre gostei muito de esportes aquáticos e aí fez total sentido para a gente esse estilo de vida, de morar em um barco e levar nossa casa.


Só que aí nesse ponto, não tínhamos o conhecimento náutico. Em Livramento o mar mais próximo fica bem longe, então sabíamos que íamos passar por um planejamento muito grande, um estudo e uma preparação e foi isso que fizemos. Começamos a estudar, eu principalmente na parte de navegação dos barcos e como ganhar o dinheiro também, afinal estávamos na faculdade e a gente tinha que começa a nossa vida de trabalho e já tinha um plano. Tínhamos que juntar o dinheiro para comprar esse barco, que era o primeiro barco que estava na nossa mira. Foram quatro anos de planejamento e trabalho que a gente juntou todo o dinheiro que a gente podia e tudo que a gente ganhava, guardávamos. Para juntar dinheiro, fomos trabalhar em navio de cruzeiro, então a gente já juntou essa ideia de viajar com o trabalho, nessa preparação. A gente conseguiu um trabalho na Royal Caribbean International, trabalhávamos como fotógrafos e isso nos permitiu juntar um dinheiro em dólar e também conhecer o mundo. No final estivemos em mais de 30 países. Eu fui primeiro, a Marina estava terminando a faculdade, e conheci Ásia, Oceania, Europa, Oriente Médio, Caribe e depois a Marina se juntou comigo e fizemos Caribe e Europa juntos.



Mais de três milhões de pessoas acompanham o dia a dia de vocês nas redes sociais. Como começou essa ideia de produzir conteúdo? Vocês imaginaram atingir tantas pessoas?


A ideia de produzir conteúdo para as redes sociais surgiu também como uma ideia de devolver aquilo que a gente recebeu, nosso esforço que foi chegar aqui e de conhecer; até quatro anos antes da gente comprar o barco não sabíamos que isso existia e a gente consumiu muito conteúdo em inglês, porque ainda aqui no Brasil não tinha. Eu li muitos livros em inglês, e tinha canais lá fora que já falavam sobre isso naquele início, e aqui no Brasil praticamente não tinha, apenas um que estava começando. Vimos isso como uma forma de trabalho no futuro, mas também como uma forma de mostrarmos para as pessoas que é possível não apenas morar no barco, mas também ir atrás dos seus sonhos, sejam eles quais forem. Essa foi nossa ideia desde o início, mostrar para as pessoas que elas podem ir além dos que elas imaginam, assim como a gente não imaginava que ia ter um barco. Depois de seis anos nisso já tivemos dois barcos e já estamos projetando nosso próximo barco que será um catamarã elétrico, totalmente de alumínio e que vamos trazer muita tecnologia embarcada nele. Estamos trazendo isso também para continuar nossa meta, de mostrar para as pessoas e elas irem muito mais além do que elas imaginem.


Nunca imaginamos alcançar todo esse número de pessoas, nessa marca de 3 milhões de pessoas. Quando estávamos começando no início era só canal de Youtube e Instagram. Nós últimos anos expandimos para outras plataformas também, então estamos produzindo hoje para Youtube, Instagram, Tiktok e Kwai também, então são muitas plataformas, muito conteúdo e a maioria desse conteúdo que a gente faz hoje, são vídeos curtos tipo reels, porque eles passam uma informação rápida mais de uma forma concisa e interessante para as pessoas.


Qual o próximo projeto agora?


Nosso próximo passo é construir nosso barco. Desde o início, desde que começamos a pensar em ter um barco, eu como designer de produto sempre tive muito interesse da parte dos meios de transporte, então desde a faculdade eu sempre gostei de projetar carros, motos e barcos também. Nunca tinha pensado em realmente concretizar essa ideia e então desde lá do início já vinhamos projetando nosso barco, mas tínhamos que conhecer mais o meio e desenvolver o nosso conhecimento de realmente viver no barco. Não podíamos partir do zero e construir um barco, por isso compramos o primeiro barco, passou um bom tempo navegando pela costa do Rio de Janeiro e no segundo barco, que estava abandonado, decidimos colocar nosso conhecimento e testar também se estaríamos preparados para depois construir um e então compramos esse barco que estava abandonado há mais de seis anos, reformou ele e trouxemos de volta a vida, navegamos mais um tempo com ele e decidimos que era hora de partir para esse próximo projeto, que era transformar a ideia desde o início em realidade. Nos juntamos com um escritório de engenharia naval e estamos fazendo um co-projeto junto com eles. Vai ser inovador, é um catamarã de alumínio de 38 pés. Nos meios náuticos tratamos algumas coisas com nomes diferentes, então o tamanho do barco em vez de metros, é em pés. Para você ter uma noção, ele tem aproximadamente uns doze metros de comprimento e de largura uns seis metros e meio. Ele é bem mais preparado para fazermos travessias e nos levar onde quisermos.


A ideia desse projeto é que seja conceito também. Estamos trazendo muitas tecnologias junto com o barco, e pensamos também nele como uma nave espacial, afinal quando estamos navegando estamos isolados, não da para simplesmente se "furar um pneu" ou se tiver um problema no barco, encostar no acostamento e pedir por ajuda. Temos que estar preparados para resolver qualquer coisa que surja no meio do mar, então uma das ideias que estamos desenvolvendo é de ter uma impressora 3D dentro do barco para que possamos reproduzir algumas das peças do barco. Várias peças que já estamos produzindo para o barco são impressas em 3D, e dentro do barco vai ter elas, então onde estivermos poderemos imprimir grandes partes das peças do próprio barco.


Também teremos um sistema de hidroponia in doors, que você consegue desenvolver vegetais e alimentos frescos de uma forma rápida e de muito boa qualidade. Acreditamos que isso pode além de ser um benefício físico e de saúde nosso, também afetará a questão de segurança de navegação. Quando estamos no mar a vários dias, não podemos levar muitas verduras frescas, pois depois de alguns dias aquilo já começa a não ficar tão bom, então tendo a produção no barco, você mantém sua dieta de uma forma regular e boa. Comemos carne também, ai do Sul não recuso uma carne bem gorda e mal passada, mas é importante manter uma dieta constante e não mudar completamente quando estamos no mar, pois isso pode afetar a parte de segurança da navegação.


Antes de começarmos a construção do barco e decidir onde ele iria ser construído, já que ele iria ser um catamarã e o principal lugar no Brasil onde se constrói e tem concentração desse tipo de barco, é no nordeste brasileiro. Estávamos no Rio de Janeiro e decidimos tentar conhecer o maior número de barcos e pessoas que pudéssemos encontrar nesse período. Vendemos o barco, compramos uma moto e fomos até o Paraná. Nossa meta era subir até São Luiz do Maranhão, que hoje é considerada a capital dos catamarãs, onde foram construídos os maiores números foram lá, e fizemos toda a costa do Brasil de moto, conhecendo estaleiros, barcos e construtores amadores, estaleiros profissionais de alumínio, então foi uma forma também de expandirmos nosso estudo e nossa pesquisa para algo mais prático, colocar em prática e conversar com pessoas que estão diariamente explorando e usando aquilo que estamos desenvolvendo.


Terminas a viagem e fomos até São Luiz do Maranhão. Foi fantástica essa experiência, conhecemos pessoas que não iriamos imaginar que poderíamos encontrar, e pudemos trocar ideias com gente que tem muita experiência no assunto, apresentar o nosso projeto e aprimorar ele mais. Decidimos também depois dessa viagem onde iríamos construir o barco e vamos construir ele no Ceará, onde estamos agora, e já compramos um terreno onde será construído um estúdio que é onde vamos construir o barco, e como não vai ser só um barco, e sim o barco e seus sistemas que vão nele e toda essa parte de tecnologia, vamos montar e construir esse estúdio onde a gente vai poder fazer tudo lá dentro. Estamos chamando esse estúdio de Caie - Estúdio Criativo, que será o local que vamos colocar a mão na massa, construir o barco e todos os sistemas que vão vir com ele.


Fotos: Reprodução | Redes Sociais



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