Prefeitura de Bagé e Associação dos Criadores de Galgos se manifestam sobre reportagem polêmica

Após polêmica reportagem apresentada no Fantástico da Rede Globo, a Prefeitura de Bagé e a Associação dos Criadores de Galgos de Bagé já se manifestaram e emitiram nota sobre a cobertura feita na cidade. Além de Bagé, Santana do Livramento e Quaraí também foram citadas pelas reportagem.


Nota da Prefeitura de Bagé

Em relação à construção do centro de eventos para criadores da raça no Parque do Gaúcho, os recursos foram concedidos pelo governo federal, por meio de emenda parlamentar do deputado Dionilso Marcon (PT), sem contrapartida do município. A Prefeitura enviou ofício, em abril de 2018, solicitando alteração de meta para a verba, para que fosse aplicada na recuperação de um dos prédios da Cidade Cenográfica de Santa Fé, empreendimento doado ao município após as gravações do filme “O Tempo e o Vento”, mas o pedido foi negado pelo Ministério do Turismo.

Nota da Associação Bageense de Criadores de Galgos

Os cães de raça pura são acima de tudo animais funcionais. Todas as raças foram desenvolvidas pelo homem, para a realização de trabalhos específicos e cada uma dispõe de um conjunto de características físicas, biológicas e comportamentais específicas e direcionadas ao melhor desempenho da função para a qual foi desenvolvida. Assim, existem os cães de pastoreio (capazes de conduzir rebanhos inteiros e substituem vários homens a cavalo na condução de uma boiada); existem os cães de proteção de rebanhos (capazes de matar e morrer para proteger seu território, seus donos e seu rebanho); cães de faro (que são capazes de encontrar em minutos o que um batalhão de homens levaria horas), e assim por diante.

No caso dos cães utilizados para corridas, são primordialmente as raças designadas como “galgos ou lebréis” ou seja, cães originariamente desenvolvidos para caça de lebres, capazes de alcançar velocidades incríveis. São vocacionados para a velocidade; isso vem no DNA dessas raças. Eles adoram correr. Para o desempenho dessa função os lebréis, quando em velocidade, desenvolvem um tipo de galope característico dos guepardos, chamado de “galope de dupla suspensão”, somente visto quando filmado em câmera lenta. Os pulmões e o sistema cardio-vascular desses cães são inteiramente voltados para propiciar uma maior oxigenação dos músculos e seu sangue tem aproximadamente 30% a mais de hematócritos que as outras raças, o que faz dos grandes galgos os melhores doadores de sangue da espécie canina.

Então, em se tratando de cães dessas raças, fazê-los correr não pressupõe, aprioristicamente, maus tratos. É o oposto. Negar a esses cães a oportunidade de exercerem a atividade para a qual são vocacionados, isto sim, consiste em maus tratos. Desenvolver grandes velocidades é o que eles mais adoram fazer, e, estimular a criação dessas raças é fundamental para que a espécie canina possa contar com esses doadores de sangue que salvam muitas vidas, e a sociedade possa continuar a usufruir da sua beleza e excepcional temperamento.


Os cães utilizados em corridas são super atletas: assim como qualquer atleta profissional eles recebem a melhor nutrição e os melhores cuidados, são regularmente acompanhados por veterinários e mantidos na sua melhor forma.

As corridas caninas não são ilegais, assim como não são as corridas de cavalos e são tão tradicionais quanto, especialmente na Europa, berço cultural dos imigrantes que chegaram nos Estados sulistas do Brasil. Por essa razão, entendemos que existe, sim, nessas corridas, um fator cultural ancestral da Região Sul de grande relevância.

A utilização dos melhores exemplares de uma raça na reprodução é a forma mais eficiente de aprimoramento, e, nesse particular, considerando que no Brasil a caça é ilegal, a utilização desses cães em corridas é a melhor forma de selecionar os melhores para reprodução. Portanto, as corridas são necessárias, em primeiro lugar para propiciar aos criadores parâmetros para o desenvolvimento e aprimoramento dessas raças, porque somente os melhores são usados nas corridas e esses melhores é que irão reproduzir e passar seus genes adiante, para as futuras gerações. Em segundo lugar, porque como esses cães precisam de muito espeço para se exercitarem, não são ideais para a vida urbana. Não são populares como pets. Dentro desse contexto, as corridas como atividade econômica é o que agrega valor aos exemplares e viabiliza economicamente a criação.

Sem mais para o momento, agradecemos a oportunidade de manifestação sobre o assunto e permanecemos à disposição para novos esclarecimentos e/ou informações, que possam contribuir para uma reportagem abrangente, verdadeira e imparcial sobre o assunto, que possa acima de tudo informar, desconstruir narrativas sem fundamento e acusações injustas.

Cristian Nogueira Lopes, TITA DE BAGÉ, Presidente da Associação Bageense de Criadores de Galgos


Fonte: G1

Foto: Ilustrativa


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