Entre Vírgulas: O Luto



Abordo hoje esse tema complexo, infinito e particular.


Com a pandemia, o número de mortos no Brasil é assustador e em seu rastro ficará uma população marcado pelo luto, pelo dor de vidas perdidas e nunca mais teremos uma sociedade como conhecíamos. É uma ferida aberta, de ordem coletiva onde precisaremos descobrir juntos uma forma de preencher esta lacuna. Esse processo doloroso que atravessamos durante a dor de uma perda, é vivida a nosso modo, dentro de nós, individualmente de uma maneira particular, mas nesse momento está acontecendo de forma coletiva.


E diante da ausência da forma convencional na qual enterramos nossos mortos, fica a dúvida, a falta de alguma coisa, pois nos parece que ficamos em dívida com a pessoa que morreu.


A falta de um "adeus", de um velório, que são símbolos da morte, nos levam a buscar uma maneira concreta do que aconteceu. Até aquela pessoa que não teve morte próxima, fica envolta nesse clima fúnebre e se abate em comunhão com os outros.


Outra coisa que também nos assola é a fragilidade social de uma estarmos expostos as desigualdades. Enquanto uns tem acesso ao atendimento, outros vivem a angústia de saber que um familiar não recebeu tudo o que precisava , como por exemplo, um respirador. É duro saber que os mortos não são devidamente respeitados. Todos os dias nos meios de comunicação ficamos sabendo de corpos em sacos plásticos, amontoados em contêiner, caixões lacrados incinerados, enterrados em covas empilhados uns em cima dos outros e assim por diante. Outro fator que está intrínseco ao entendimento do luto é o fato da proximidade com o corpo do morto, e este elo ainda se mantém indissociável em relação com a morte.


Essa materialidade é necessária ao processo de interiorização de que não temos mais aquele ente querido.


O que vêm daqui para a frente é uma incógnita. O que nos resta no momento é o caminho da aceitação, do recolhimento, de tentar compreender os fatos e estender a mão abraçar aqueles que perderam entes queridos como mães, pais, avós, filhos, tios, primos, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, etc... A ausência está a nossa volta!


A todos que perderam alguém o nosso carinho, um abraço acolhedor, nosso amor, empatia e solidariedade!


Foto: Virginia Abreu Fialho


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