Entre Vírgulas: Apocalipse



Seria? O fim dos tempos?


A situação atual nos leva a crer que nossa vida está off-line, suspensa, pausada, mas nem tudo está perdido, e não podemos simplesmente subtrair o que estamos passando na vontade de retornar a normalidade, Uma das principais características da mente humana é a forma como nos "plasmamos", isto é, a capacidade que temos de nos moldarmos a novas situações.


Não é atoa que já passamos e superamos várias mudanças dramáticas. Ao nos adaptarmos vemos o mundo sob outro prisma.


Nunca esquecemos este ano e a forma como narrarmos ele no futuro vai depender do ponto de vista que cada um de nós. Sabemos que a mudança é obrigatória e devemos encarar isso de forma positiva. Temos muitas perguntas e respostas também. Mas não devemos generalizar pensamentos e sentimentos. Poder aderir a quarentena é um privilégio, por mais dificuldades que nos imponha como aulas on-line, relacionamentos conturbados, tarefas domésticas, mas temos que saber olhar para o lado e compreender o desafio de outro, das pessoas autônomas que não tem emprego fixo, que não tem salário, dos serviços essenciais, dos trabalhadores da área da saúde... Será que isso não serve de estimulo, de força, de um empurrão para encarar o momento de forma mais positiva?


Fico me perguntando: quem sou eu no meio disso tudo, nesse mundo conturbado, sujeito da própria vida ou atrás do coletivo? Isso me leva a reflexão! O meu lar abriga todas as vivências, sinto falta da natureza, da terra, da grama para pisar, e até mesmo de um céu para olhar. Minhas fraturas estão expostas e afinal o que vale de verdade? Percebo que meu cérebro está em xeque, mas ao mesmo tempo me sinto uma heroína no momento em que permaneço em casa, um respeito ao outro.


São tempos difíceis onde a evolução tecnologia está acima da evolução humana. A chave para superarmos isso está na maneira como você escolhe absorver o período que estamos vivendo, lembrando que para cada um (criança, jovem, adulto, idoso) será diferente, pois enquanto um jovem custa mais a aceitar a quarentena, o idoso no outro extremo não consegue acompanhar o que está acontecendo e se a informação não faz sentido ele sai de casa.


Que saibamos conduzir o momento com força e sabedoria!


Foto: Virginia Abreu Fialho

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