Cavalo cansado é agredido a cintadas em Pelotas

Um vídeo que circula nas redes sociais denuncia mais uma daquelas atitudes que não gostamos de presenciar em nossa sociedade. As imagens mostram um homem agredindo um cavalo com um cinto. O animal estava visivelmente cansado e com dificuldades até de parar em pé. Conforme o vídeo, o fato teria ocorrido na manhã desta terça-feira (14) no bairro Getúlio Vargas, em Pelotas, por volta das 6h.


Já nesta terça, uma denúncia foi feita à 3ª Companhia Ambiental da Brigada Militar (antiga Patram). Pelo fato de não ter sido repassada uma localização precisa de onde a agressão aconteceu, a Patram teve dificuldades em encontrar o proprietário da charrete na primeira investida no bairro. Ao longo do dia os policiais conseguiram encontrar o local, mas o dono e o animal não se encontravam mais por lá. "Nos foram repassadas duas ruas paralelas, o que dificultou a localização. Seguimos nas buscas, investigando onde o animal se alimenta e tentando descobrir para onde ele e o proprietário foram depois que o vídeo encerra" declarou o capitão Avelino, da Patram.


O Conselho Municipal de Proteção Animal (Comupa) realiza, duas vezes por mês, blitz na cidade para verificar a situação das charretes, emplacá-las e ver as condições que os animais estão sendo submetidos. O presidente do Comupa, Henrique Fetter, repudiou o ato e ainda afirmou que a polícia deveria ter sido chamada, até pelo horário em que o ato foi flagrado. "A principal ferramenta é a denúncia. Realizamos as blitze como uma ferramenta de auxílio, mas o principal meio de combater essa violência contra os animais é através da denúncia" afirmou o presidente da entidade.


Como denunciar?

Em caso de flagrante de maus-tratos a animais, há duas alternativas. Caso sejam atos que não envolvem força física, como animais doentes e mal alimentados, é possível encaminhar uma denúncia para a SQA por meio do telefone 3227-1642. Outra opção é realizar a denúncia junto à 3ª Companhia Ambiental da Brigada Militar pelo telefone 3225-3722, nesses casos onde haja aplicação de força física.


Após a denúncia encaminhada para a SQA, há o recolhimento do animal, por parte da hospedaria pelotense, em caso de maus-tratos. Em seguida, o animal é encaminhado para o Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas (HCV/UFPel) e, após ser reabilitado, ele volta para a hospedaria e, plenamente recuperado, é colocado para a adoção.


Legislação

Sancionada em janeiro de 2016, a Lei Municipal 6.321 estabelece prazo de quatro anos - que se encerra este mês - para que a prefeitura elabore projeto de substituição total dos veículos de tração animal. De lá para cá, o município lançou edital e selecionou protótipo movido a eletricidade e pedal como alternativa às carroças. O veículo, com custo estimado em R$ 15 mil, seria bancado por empresas locais e repassado aos carroceiros para que deixassem de usar cavalos. Parte dos trabalhadores não aprovou o modelo e não houve empresários dispostos a bancar a ideia.


Em matéria publicada pelo Diário Popular na segunda quinzena de dezembro, a prefeitura informou que elaborou projeto e chamamento público para substituição de carroças. Contudo, apenas uma empresa desenvolveu modelo alternativo para ser distribuído com apoio de empresários que poderiam estampar suas marcas no veículo. Sobre o prazo previsto na Lei 6.321/2016 para substituição da tração animal, o governo argumenta que "a referida lei diz que a prefeitura é obrigada a elaborar um projeto e não necessariamente executá-lo".


Há dois anos a vereadora Cristina Oliveira (PDT) tenta aprovar em plenário uma nova lei, neste caso para acabar com o uso de charretes. No final de 2019 a proposta foi arquivada pela Câmara, mas a parlamentar deverá reapresentá-la a partir do próximo mês.


Fonte Diário Popular de Pelotas




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