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Caso Gabriel: PMs réus pela morte de jovem são interrogados na Justiça Militar em Porto Alegre

Os três PMs que são réus no caso Gabriel Marques Cavalheiro, jovem de 18 anos morto em São Gabriel depois de uma abordagem policial, estão sendo interrogados nesta quarta-feira (19) no Tribunal de Justiça Militar (TJM). Os réus permanecem detidos no Presídio Militar de Porto Alegre.

O sargento Arleu Junior Jacobsen e os soldados Raul Veras Pedroso e Cleber de Lima respondem na Justiça Militar pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Na Justiça comum, eles respondem por homicídio triplamente qualificado.


O advogado Maurício Custódio, responsável pela defesa do sargento Arleu Junior Jacobsen, alega que "as provas atestam que os policiais não têm envolvimento nenhum no crime".


A advogada Vânia Barreto, que defende os soldados de Lima e Pedroso, afirma que os seus clientes "são inocentes".

Caso Gabriel: PMs réus são ouvidos no Tribunal de Justiça Militar — Foto: Divulgação/Tribunal de Justiça Militar

Como vai funcionar o julgamento

O julgamento dos PMs está previsto para ocorrer na quinta-feira (20). Os três réus serão julgados pelo Conselho Permanente da Justiça Militar. Esse conselho é composto por cinco membros: uma juíza (que preside o Conselho), um oficial superior e três oficiais (capitães ou tenentes).

De acordo com o TJM, os cinco integrantes do Conselho votam. Pela ordem, a magistrada será a primeira a proferir o voto. Na sequência, é a vez do oficial de menor posto, e assim segue, até o voto do oficial mais graduado.


Relembre o caso


Gabriel Marques Cavalheiro desapareceu no dia 12 de agosto de 2022 em São Gabriel. Ele estava na cidade hospedado na casa de um tio, para prestar serviço militar. O desaparecimento ocorreu depois de uma abordagem policial na Avenida Sete de Setembro. Uma vizinha da casa em que ele estava hospedado chamou a polícia porque, segundo ela, o jovem estaria forçando o portão que dá para o pátio em frente ao imóvel.


Os policiais teriam agredido Gabriel, que foi imobilizado e levado para dentro de uma viatura militar. Testemunhas disseram que ele foi atingido por "pelo menos dois ou três golpes de cassetete". Essa foi a última vez que Gabriel teria sido visto com vida.


No dia seguinte, 13 de agosto, as buscas pelo jovem começaram. A Brigada Militar (BM) negou, inicialmente, que tivesse levado Gabriel de viatura até algum lugar. Depois, a corporação corrigiu a informação e disse que os policiais levaram o jovem para uma região no interior do município conhecida como Lava Pés, distante cerca de 6 km de onde houve a abordagem. O sistema de GPS do veículo indicava que foi feito o trajeto até o local.


O corpo foi localizado no dia 19 de agosto, submerso em um açude na localidade. No mesmo dia os três policiais foram presos preventivamente. A Justiça Militar entendeu que os agentes promoveram "abandono de pessoa que está sob seu cuidado, guarda ou vigilância e falsidade ideológica" e alteração de documento público.


Os três policiais prestaram depoimentos em três ocasiões, sendo duas vezes para a BM e uma para a Polícia Civil. Em todas, eles negaram envolvimento no assassinato de Gabriel.


Texto: G1/RS


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