Após desencontro com namorada virtual, jovem de Gravataí é resgatado em SP por policiais

Com o objetivo de trazer para a vida real uma paixão que até então era virtual, Matheus Quadros, 18 anos, deixou Gravataí no sábado (6) e partiu de ônibus rumo à capital paulista. Após uma relação de dois anos pelo Facebook, ele e a namorada haviam decidido morar juntos na cidade de Osasco, onde o jovem teria emprego garantido em um supermercado.


O desfecho da história lembra os versos do rapper Criolo: “Não existe amor em SP”. Certamente existe, mas não foi o caso do gaúcho, que se viu em uma situação de risco e desamparo. Ao desembarcar, ninguém o aguardava no Terminal Rodoviário Tietê.


— Fiquei muito abalado. Ela disse que estaria lá para me esperar, mas, quando cheguei, não estava. Ela dizia que era para eu ir para lá, morar com ela, coisas assim. Em São Paulo, tentei ligar várias vezes e ela não atendeu. Pelo Facebook, inventou que não poderia me buscar porque furou o pneu do carro — explica Matheus, que conta ainda que os contatos do casal eram sempre por texto, nunca haviam feito chamadas por telefone ou vídeo.


O gravataiense foi bloqueado nas redes sociais e qualquer contato com a namorada virtual foi cortado. Longe de casa, sem conhecidos na cidade e com pouquíssimo dinheiro na carteira, não tinha como se manter ou retornar ao Rio Grande do Sul. A solução que encontrou foi contatar o soldado Diogo Ávila, do 17º Batalhão da Polícia Militar de Gravataí, que fora seu professor do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) no sexto ano da Escola Municipal Professora Idelcy Silveira Pereira.


Faz seis anos que o soldado ensina em escolas públicas e privadas, dentro do Proerd. O contato com o professor havia sido retomado há algumas semanas, quando o jovem pediu conselhos sobre o alistamento militar. Na segunda-feira (8), após duas noites dormindo na rodoviária, Matheus pediu ajuda para voltar e o soldado entrou em ação.


— Como ele não tem pai nem mãe, ligou pra mim. Acionei meu superior direto, que me autorizou a publicar um texto contando a história no grupo dos coordenadores do Proerd. Com a ajuda dos colegas, fizemos uma vaquinha, que arrecadou R$ 500 para a passagem, e contatamos a polícia de São Paulo — conta o soldado.


Sem conta bancária para receber a ajuda, uma guarnição da Polícia Militar de São Paulo enviada pela capitã Lígia, coordenadora do Proerd na cidade, localizou Matheus, o alimentou e encaminhou de volta ao RS. Ele chegou à rodoviária de Porto Alegre às 21h de quarta-feira (10) e foi recebido pelo carinho por brigadianos que trabalharam para dar a ele o melhor final possível ao caso.


— Quando ele desembarcou, disse: “Eu sabia que o senhor não ia me deixar lá”. Aquilo me doeu muito, mas acho que é sinal de que consegui transmitir um dos objetivos do Proerd, que é a criação de um círculo de confiança — afirma o soldado Diogo.


Brigadiano foi professor de Matheus no Proerd, programa de conscientização contra a violência e o uso de drogasPolícia Militar de Gravataí / Divulgação


Se o caso se tratou de um desencontro ou de um possível golpe evitado, não se sabe. O soldado cogita inclusive a possibilidade de tráfico de pessoas. Em segurança na casa que divide com a madrinha, o jovem agradece o esforço da rede que o resgatou.


— Teve momentos em que pensei que não conseguiria voltar. Quero deixar muita gratidão por tudo o que fizeram por mim — conclui Matheus. Fonte: Gaúcha/ZH


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