35% das cidades do RS vão fechar o ano com desequilíbrio nas contas, aponta FAMURS

Na contramão da crise, maioria dos municípios gaúchos adota medidas de economia para fechar o ano com as contas no azul. Ainda assim, 125 cidades vão começar 2020 com dívidas, aponta estudo divulgado nesta sexta-feira (20) pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

Eldorado do Sul, na Região Metropolitana, é uma delas. A área da saúde é a mais afetada.

"Hoje, nós estamos, no mês de novembro, com receitas que seriam de dezembro. Provavelmente as despesas de dezembro vamos pagar no ano que vem. Em consequência disso, a gente poderá ficar no vermelho, ferindo o que diz a lei de responsabilidade fiscal no que tange às contas públicas", admite o vice-prefeito, Ricardo Alves Santos.

O déficit estimado é de R$ 1 milhão. De acordo com a Famurs, o atraso nos repasses do governo do estado para os atendimentos de baixa complexidade na área da saúde agrava a situação. A entidade informou que os atrasos já somam R$ 120 milhões, referente a três meses sem pagamento.

O governo do estado informou, por nota, que desde janeiro repassou R$ 460 milhões para os municípios custearem programas de saúde, e que vem mantendo a regularidade dos repasses na área.


Cobertor curto, torneira fechada

O mesmo levantamento também mostra que 65% dos municípios gaúchos vão fechar as contas no azul.

Uma onda de corte de gastos se espalhou por várias cidades gaúchas. Entre as medidas de contenção estão a redução nas despesas administrativas, viagens, cursos, horas extras e diárias.

"Isso demonstra o esforço que as prefeituras têm feito para manter as contas em dia. Mas isso ocasiona dificuldade na prestação de serviços na medida em que o dinheiro não chega para tudo. O cobertor está curto e os prefeitos e prefeitas do Rio Grande do Sul têm que fazer escolhas", afirma o vice-presidente Famurs, Maneco Hassen.

A prefeitura de Coxilha, no Norte do estado, por exemplo, vai fechar o ano com saldo positivo no caixa: R$ 800 mil. O prefeito cortou despesas e diminuiu de nove para seis o número de secretarias.

"Entendemos que nós, que somos pequenos municípios, podemos trabalhar com menos cargos de chefia e com mais pessoas lá na ponta fazendo o serviço que interessa", diz o prefeito Ildo José Orth.

Em relação ao 13º salário, a maioria (65,14%) vai pagar no prazo. Algumas cidades (32,43%) chegaram até a antecipar o benefício, e apenas 2,16% delas vão atrasar o pagamento.

As maiores pendências são com fornecedores (28,38%), encargos (16,49%), manutenção (14,05%) e folha de pagamento (2,7%).


Fonte: G1


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