• G1 RS

Taxa de desocupados no RS se mantém estável no segundo trimestre de 2019


O crescimento de 4,7% do PIB do Rio Grande do Sul em 2019 não foi acompanhado pelo aumento significativo do percentual de pessoas ocupadas no estado, apontou o Boletim de Conjuntura. O levantamento foi lançado e divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) do governo estadual.

A taxa de desocupados ficou em 8,2% no segundo trimestre de 2019, variando pouco em relação ao mesmo período de 2018 (8,3%). De acordo com a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach, o IBGE nem chega a considerar essa diferença como queda.

"A recuperação ainda é lenta. O mercado de trabalho está bem estagnado aqui no Rio Grande do Sul", avalia Vanessa.

"A recuperação tem se dado em alguns setores, como agropecuária e indústria, mas ainda não tem percepção no dia-a-dia das pessoas de que isso está melhorando", acrescenta.

O número absoluto de desempregados no estado, inclusive, cresceu: são aproximadamente 505 mil pessoas sem emprego na média do segundo trimestre do ano — 13 mil a mais na comparação com o segundo trimestre do ano anterior.

Mesmo com a pequena redução da taxa de desocupação, o aumento do número de desocupados pode ocorrer por conta do crescimento da população com idade para trabalhar, ou ainda porque desempregados que não estavam procurando emprego passaram a buscar vagas.

"Entraram mais pessoas na força de trabalho. A taxa de desocupação é quem está desocupado hoje sobre o total de pessoas que têm idade para trabalhar e estava procurando emprego. Aumentou o número de desocupados, mas tem mais gente no mercado de trabalho", detalha Vanessa.

Subocupação e informalidade

Quando se leva em consideração a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas, o número de pessoas em busca de uma trabalho passa para 811 mil no segundo trimestre de 2019, o que representa 60 mil pessoas a mais do que no ano anterior.

Conforme o boletim, entre as novas posições ocupadas no segundo trimestre, aproximadamente 30% são por conta própria, sem CNPJ, caracterizadas pela informalidade e por rendimentos abaixo da média.

"É um tipo de ocupação que é mais novidade, pode pegar pessoal do Uber, que se considera ocupado, tem rendimento, mas é uma ocupação mais informal", observa Vanessa.

E não há sinal de recuperação rápida da economia nos próximos meses. Dados mais recentes da indústria gaúcha, especialmente de julho e agosto, sinalizam perspectiva de desaceleração na economia até o fim de 2019. A redução sazonal da contribuição da safra de grãos no estado para o PIB gaúcho (safras de milho e soja) também colabora para esse cenário que se desenha.

"A agropecuária e a indústria ajudaram o Rio Grande do Sul a crescer mais no ano do que no Brasil. A agropecuária não contribui para o segundo semestre do ano por questão sazonal. Dados da indústria estão mostrando que a gente tenha um segundo semestre de crescimento mais moderado, mas termine o ano crescendo acima do Brasil", projeta Vanessa.

O boletim, elaborado por técnicos do DEE, será divulgado trimestralmente pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão.


40 visualizações0 comentário