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Câmara de POA exonera seis funcionários do gabinete do vereador preso


A Câmara de Vereadores de Porto Alegre exonerou seis cargos de confiança que trabalhavam no gabinete de André Carús (MDB). A dispensa foi publicada no Diário Oficial, na quarta-feira (9), com data retroativa ao dia 4 de outubro.

Carus está preso há dez dias. No fim de semana passado, ele teve o mandado de prisão temporária renovado para mais cinco dias. O vereador foi encaminhado à Cadeia Pública de Porto Alegre.

No dia seguinte à prisão, a defesa de Carús entrou com um pedido de licença na Câmara.

Ele é suspeito de obrigar assessores a tirar empréstimos consignados e entregar o dinheiro para ele. Outras seis pessoas, entre elas funcionários, foram presos por envolvimento no esquema.

No lugar de Carús, assumiu o suplente Delegado Cleiton (PDT). Com a mudança, o MDB perde uma cadeira na Casa e o PDT passa a contar com quatro. O vereador fará parte da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam).

Esquema revelado por ex-assessora

O esquema foi revelado por uma ex-assessora, que além de procurar a polícia, contou os detalhes da fraude à reportagem da RBS TV, que realizou investigação independente.

Uma mulher, que trabalhava com o vereador desde 2017, fez três empréstimos que somam R$ 100 mil. À reportagem, ela disse que entregou todo o dinheiro a Carús, e que a maior parte do salário de R$ 14 mil era usado para pagar as parcelas do empréstimo. Ela decidiu fazer a denúncia depois de ter sido demitida.

"No início ele dizia que eram dívidas que ficaram da campanha que ele tinha que pagar e ele não tinha como. Que isso, na verdade, ficaria no primeiro ano de mandato e depois isso findaria, mas só que nunca teve fim. Cada vez foi só aumentando a dívida".

Em uma gravação com câmera escondida, um funcionário da financeira que fez os empréstimos mostra que a empresa sabia do esquema. Ele cita o nome do vereador e diz que a ex-assessora não ficará com o "nome sujo".

"Acho que tu falou com o vereador André Carus também, né? Falei com o vereador também, por telefone, e mais, a diretoria está sabendo de tudo. Então, ficou garantido que vamos liquidar, na medida do possível, todo o teu CPF, sem nunca te trazer nenhum problema para o teu CPF", disse, sem saber que estava sendo gravado.

"Não podemos descartar essa hipótese que outras pessoas também tenham se locupetado [enriquecido] de alguma forma a partir do valor desses empréstimos que foram contraídos juntos a esta instituição financeira, se, com alguma parte ou com o valor integral de cada um desses empréstimos. É isso que, a partir das provas que apreendemos na data de hoje, vamos verificar", disse o delegado.

Segundo a ex-assessora, o vereador teria convencido outros parlamentares a modificar uma legislação municipal para facilitar a fraude. Em mensagem que teria sido encaminhada à direção da Municred, Carús teria dito que a alteração de um decreto evitaria que a financeira tivesse prejuízos. "Demonstra ainda que nossa atitude foi séria e a palavra empenhada, cumprida", teria escrito o vereador.

Em nota, a prefeitura da Capital assegurou que as mudanças na legislação não foram resultado de tráfico de influência. (Leia abaixo).

A Prefeitura de Porto Alegre esclarece que não houve tráfico de influência de vereadores no decreto que limitou os empréstimos consignados de servidores municipais. É natural que o Executivo receba uma série de pedidos – inclusive de representantes do Legislativo – que sempre são analisados de forma isonômica e com total transparência.

Em março de 2019, a Prefeitura publicou o Decreto 20.211 limitando a tomada de empréstimo consignado em 30% dos rendimentos dos servidores municipais. Antes, o valor praticado poderia ser de até 60%, com preferência para serviços de saúde.

Fonte: G1 RS


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