Número de assassinatos diminui no Brasil


O número de assassinatos no Brasil caiu pela primeira vez em três anos. Mas ninguém notou os 10% a menos de mortos. Foram 57.341 casos, em 2018, a menor contagem deste 2014. Não há o que comemorar. Continuamos a viver em um estado de guerra civil — e militar, já que, por outro lado, o número de mortos pela polícia no país bateu recorde, chegando a 6.220 pessoas, no mesmo período.

Os dados são do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A organização levanta três hipóteses para o recuo na barbárie: a ação dos governos estaduais, um recuo no conflito entre facções criminosas e um vetor demográfico que aponta a diminuição do número de jovens na população são eles as principais vítimas.

O Brasil continua sendo um dos países mais violentos do mundo, à frente de México, Argentina e Estados Unidos, por exemplo. Apesar da redução recente, nossos índices são tão alarmantes que há pouco espaço para otimismo a curto e médio prazos.

O governo Bolsonaro ainda não entrou nessa contagem estatística. Só daqui alguns meses saberemos qual o efeito do discurso armamentista e de endurecimento da ação policial propagado de Brasília e com ampla ressonância na fala de alguns governadores, como os do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Por raciocínio lógico, se essa nova política de segurança vingar, contaremos mais vítmas da violência em 2019. E se isso acontecer, haverá quem comemore, por mais que isso pareça uma contradição. Não é. Expressiva parcela da população associa nossa epidemia de assassinatos a uma espécie de limpeza cívica ou merecido efeito colateral de atividades criminosas.

A guerra vai continuar. E a contagem dos mortos também.


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