Bolo, café e abraço: Santanense vira sucesso nacional com sua criatividade no Rio de Janeiro


Após ver seu restaurante falir, em Sant'Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul,em 2015, a gaúcha Marcia de Moura Dutra, formada em Administração, desenvolveu uma forte depressão. Decidida a mudar de ares, veio morar com a filha no Rio, em Copacabana, onde recomeçou do zero. Sem medo de trabalho, em pouco tempo na cidade já começava a prestar serviços como freelancer de babá, cuidadora de idosos e dog walker. Para incrementar a renda, há um ano, montou uma barraquinha na Rua Figueiredo de Magalhães, em frente ao número 442, onde, por R$ 2, vende uma fatia de bolo, acompanhada de um copinho de café e um abraço. E a vida voltou a sorrir para ela.

— É algo que sei e gosto de fazer.

Só que, mais do que o dinheiro, eu precisava desses abraços. Eles me salvam diariamente. O melhor é a reação das pessoas, quando leem a minha plaquinha e veem que o abraço está incluso. Na hora, elas desfazem a cara séria de quem está desanimado, indo para o trabalho, e abrem um sorrisão. Muitas acabam comprando o bolo só por causa do abraço. Todo mundo anda carente, e essa troca de afeto pode fazer uma grande diferença — diz. De segunda a sexta, das 6h30m às 11h e das 16h às 18h30m, Márcia trabalha na banquinha de bolos, que monta perto do prédio onde mora. Entre as opções há os sabores de chocolate, milho, aipim, vegano, brownie e cenoura. Por dia, ela vende uma média de 50 fatias. Na pressa, muitos dispensam o café, mas do abraço ninguém abre mão.

—Outro dia, uma senhora me deu os R$ 2 e disse que só queria o abraço. Achei lindo isso — conta ela, que segue uma norma de conduta própria no trabalho. —Estou sempre com roupa fechada; quando atendo casal, pergunto para a mulher se posso abraçar o marido dela; e quando atendo policiais ou outros agentes das Forças Armadas fardados, eu também peço autorização antes.

Fonte: O Globo


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