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Mulher de 71 anos é presa por aliciar a própria neta em Canoas


Uma mulher de 71 anos foi presa na tarde de terça-feira, por aliciar a própria neta em troca de favores e bens materiais, em Canoas. De acordo com o titular da Delegacia de Proteção à Criança de Canoas, delegado Pablo Queiroz Rocha, a menina de 13 anos está abrigada desde que as investigações apontaram o envolvimento da idosa. Ela foi detida no bairro Moinhos de Vento e depois dos trâmites legais encaminhada ao presídio. Um homem acusado de ser o abusador também foi capturado. “Ele tem mais de 50 anos. Verificamos que no período em que a vítima passava com a avó, ela dormia com esse indivíduo no próprio quarto”, conta.

Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o nome dos envolvidos não são divulgados para preservar a identidade da menor. Mesmo negando o envolvimento, ficou comprovado no inquérito policial que a mulher aceitava pagamentos feitos pelo indiciado. “Além de dinheiro, ele fez todos os móveis e a reforma da casa em que ela morava e constantemente fazia ranchos. No depoimento, ele confirmou que a cama de casal que tinha no cômodo em que a menina ficava foi comprada por ele. A relação durou mais de ano”, esclarece.

Para evitar que a jovem engravidasse, ele fornecia remédios e a obrigava a tomar. De acordo com Rocha, a avó possuía a guarda da menor e proporcionava os encontros da neta com o homem. “A vítima nos contou detalhes dos abusos e dizia que a avó estava sempre presente.”

Na tarde da terça-feira, quando os policiais chegaram para cumprir o mandado de prisão preventiva, ela ficou surpresa. “Quando dei a notícia para ela, ainda disse: ‘Vou ser presa por causa daquela pivete’”, informa. Há sete meses ela está abrigada e longe do trauma dos abusos que sofreu durante anos.

Disputa de aguarda, abusos e institucionalização

A história trágica chegou ao conhecimento da delegacia há cerca de três anos, quando a aliciadora brigava pela guarda da menina com um tio. “No primeiro momento, a guarda era dele, mas de tanto que ela incomodou, ele abriu mão”, acrescenta o delegado. As investigações iniciaram há três anos, quando a disputa entre os dois partiu para a agressão física. “Na ocasião, chamamos o Conselho Tutelar, que interveio. Foi registrada a ocorrência e iniciamos os trabalhos”.

Por conta disso, a menina acabou indo para cuidados institucionais, com um pai adotivo, ela passava os fins de semana na casa da avó, quando ocorriam os abusos. “Foi percebido que quando ela voltava, estava pior. Conseguimos afastá-la depois de muito trabalho. É um processo lento porque é difícil conseguir isso pelos laços que as une”, destaca.

Mesmo institucionalizada a mulher mandava bilhetes para dentro do abrigo, sobre os encontros com o homem e a mandava destruir o material. “Conseguimos encontrar alguns desses papéis no banheiro, recolhemos, remontamos e encaminhamos ao Judiciário.” Há sete meses ela está longe da aliciadora, que não pode se aproximar da vítima. “Depois de acolhida no abrigo, ela prestou depoimento especial e confirmou o abuso. Ela conta que dormia com o homem na cama, na casa da avó, com ela presente no local.”

Avó tinha plano de fugir com a neta

Rocha revela que a mulher chegou a arquitetar a fuga com a neta para Santa Catarina. “A ideia era retirar a menina do abrigo, tanto que a avó foi flagrada na companhia do senhor vigiando a menor dentro da casa, em 2018. Vimos, então, que era inevitável representar pela prisão preventiva dos dois”, expressa o delegado. Com o pedido acatado, os dois foram indiciados. Ele pelo crime de estupro de vulnerável e ela por estupro de vulnerável e exploração sexual de adolescente.

O caso chamou atenção dos policiais que atuaram na investigação. “Ela é uma senhora dissimulada, primeiro ela briga pela guarda da menina com o tio, algo normal de acontecer, depois submeta a neta a abuso. É algo que choca”, pondera. Hoje, submetida a acompanhamento psicológico e longe de todo o sofrimento, a menor apresenta melhoras. “Em nossas primeiras conversas ela era tímida, tinha um vocabulário pobre. Hoje teve uma grande evolução e, neste caso, o abrigamento fez muito bem”.

De acordo com o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), o delegado regional Mario Souza, afirma que os crimes sexuais contra menores devem ser tratados de forma emergencial e com energia. “Esse tipo de situação envolve pessoas em formação e situação de risco, com possibilidades de sequelas graves para toda a vida”, frisa. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 34259056 ou ainda no WhatsApp 984.590.259. O sigilo é garantido.

Fonte: Correio do Povo


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