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Grupos globais investirão até R$ 5,3 bilhões em energia no RS


A tentativa de elevar a capacidade de transmissão de energia elétrica no Rio Grande do Sul e destravar projetos do setor ganhou alento nesta quinta-feira (20). Em leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na sede da B3, a bolsa de valores de São Paulo, cinco grupos de investidores arremataram os cinco lotes de obras previstas para o Estado, com investimento estimado de cerca de R$ 5,3 bilhões.

O pacote abrange a construção de 2,9 mil quilômetros de linhas de transmissão e 10 novas subestações. Com prazo de conclusão de quatro a cinco anos após a assinatura dos contratos, as obras são consideradas essenciais porque o Rio Grande do Sul não consegue conectar novas usinas à rede de transmissão. Ou seja, a capacidade de absorver mais geração de energia, de fontes como a eólica, está esgotada no Estado.

Segundo as regras do leilão, os grupos vencedores foram aqueles que ofereceram o maior deságio por lote. Ou seja, os investidores que propuseram o maior desconto em relação à receita máxima anual que poderiam alcançar com os empreendimentos. Os trechos gaúchos do leilão foram numerados como 10, 11, 12, 13 e 14 – o último inclui parte de Santa Catarina.

Com o maior investimento previsto no Estado (R$ 2,4 bilhões), o Lote 10 foi arrematado pelo consórcio Chimarrão, que ofereceu R$ 219,5 milhões, desconto de 42,38% frente à remuneração máxima permitida. O grupo é formado pela Cymi, controlada por investidores espanhóis, e pela Brasil Energia, do fundo canadense Brookfield.

Dona da RGE e da RGE Sul, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) ficou com o Lote 11, ao oferecer R$ 33,8 milhões, deságio de 38,51%. A companhia está sob o guarda-chuva dos chineses da State Grid.

Controlada pela colombiana Isa e pela mineira Cemig, a Taesa arrematou o Lote 12, com proposta de R$ 58,9 milhões, desconto de 38,8%. O Lote 13 ficou com os indianos da Sterlite, que ofereceram R$ 74,7 milhões, deságio de 38,9%.

A Neoenergia arrematou o Lote 14, que prevê investimento de R$ 1,2 bilhão no Estado e em parte de Santa Catarina. Controlada pelos espanhóis da Iberdrola, a companhia ofereceu R$ 120,9 milhões, desconto de 39,9% frente à remuneração máxima para o trecho.

No total, 16 lotes espalhados por 13 Estados foram a leilão nesta quinta-feira, com projeção de aporte de R$ 13,2 bilhões e expectativa de geração de 28 mil empregos diretos. Todos os blocos foram arrematados no certame.

Busca por resolução de impasse

A maior parcela do investimento de R$ 5,3 bilhões no Rio Grande do Sul – cerca de R$ 4 bilhões – integrava o chamado Lote A, mergulhado em impasse desde 2014. À época, a Eletrosul venceu leilão para fazer as obras. Diante da crise nas finanças, buscou parceria com os chineses da Shanghai Electric.

Em setembro deste ano, quando havia esperança de que um acordo poderia desengavetar os empreendimentos, os asiáticos comunicaram a desistência. Com isso, a Aneel cassou a concessão da subsidiária da Eletrobras e marcou o novo leilão desta quinta-feira.

A agência dividiu o projeto inicial do Lote A em quatro blocos (lotes 10, 11, 12 e 13) e incluiu novo trecho de obras (Lote 14), que também abrange parte de Santa Catarina. Por conta do acréscimo, o valor total estimado para o aporte subiu de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 5,3 bilhões. Segundo a Aneel, a construção das estruturas previstas para os gaúchos pode gerar 12,9 mil empregos diretos.

Os cinco lotes no RS

Lote 10 Vencedor: Consórcio Chimarrão, com proposta de R$ 219,5 milhões O que prevê: 1,2 mil quilômetros de linhas de transmissão e duas novas subestações Prazo para término das obras: quatro anos Investimento estimado: R$ 2,4 bilhões Previsão de novos empregos diretos: 6.088 Finalidade: integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul Municípios: Candiota, Pinheiro Machado, Piratini, Canguçu, Amaral Ferrador, Dom Feliciano, São Jerônimo, Camaquã, Cerro Grande do Sul, Barão do Triunfo, Sertão Santana, Mariana Pimentel, Guaíba, Eldorado do Sul, Dois Irmãos, Ivoti, Lindolfo Collor, Capela de Santana, Montenegro, Portão, São Sebastião do Caí, Araricá, Gravataí, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Sapiranga, Charqueadas, Triunfo, Nova Santa Rita, Rio Grande, Capão do Leão, Pelotas, Turuçu, São Lourenço do Sul, Cristal, Camaquã, Sentinela do Sul, Barão do Triunfo, Arroio dos Ratos, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande, Capão do Leão, Arroio Grande, Guaíba e Porto Alegre

Lote 11 Vencedor: CPFL Geração de Energia, com proposta de R$ 33,8 milhões O que prevê: 85,4 quilômetros de linhas de transmissão e três novas subestações Prazo para término das obras: quatro anos Investimento estimado: R$ 348,9 milhões Previsão de novos empregos diretos: 872 Finalidade: integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul Municípios: Porto Alegre, Vila Maria, Caraá, Osório, Santo Antônio da Patrulha, Canoas, Esteio, Glorinha, Gravataí e Sapucaia do Sul

Lote 12 Vencedor: Taesa, com proposta de R$ 58,9 milhões O que prevê: 587 quilômetros de linhas de transmissão e duas novas subestações Prazo para término das obras: quatro anos Investimento estimado: R$ 610,3 milhões Previsão de novos empregos diretos: 1.525 Finalidade: integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul. Municípios: Santana do Livramento, Quaraí, Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Cacequi, Dilermando de Aguiar, Santa Maria, Alegrete, Itaqui, e Maçambará

Lote 13 Vencedor: Sterlite, com prposta de R$ 74,7 milhões O que prevê: 316 quilômetros de linhas de transmissão e uma nova subestação Prazo para término das obras: quatro anos Investimento estimado: R$ 776,8 milhões Previsão de novos empregos diretos: 1.942 Finalidade: integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul e aumento da capacidade de suprimento da Região Metropolitana Municípios: Capivari do Sul, Alvorada, Viamão, Dois Irmãos, Ivoti, Lindolfo Collor, Taquara, Capela de Santana, Montenegro, Portão, São Sebastião do Caí, Santo Antônio da Patrulha, Araricá, Eldorado do Sul, Glorinha, Nova Hartz, Parobé, Sapiranga, Charqueadas, Triunfo e Gravataí

Lote 14 Vencedor: Neoenergia, com proposta de R$ 120,9 milhões Extensão: 769,3 quilômetros de linhas de transmissão e duas novas subestações Prazo para término das obras: cinco anos Investimento estimado: R$ 1,2 bilhão Previsão de novos empregos diretos: 2.429 Finalidade: integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul e atendimento elétrico de parte de Santa Catarina

Municípios: -RS: Rio Grande, Capão do Leão, Pelotas, Turuçu, São Lourenço do Sul, Cristal Camaquã, Cerro Grande do Sul, Sertão Santana, Mariana Pimentel, Guaíba, Eldorado do Sul, Capivari do Sul, Osório, Santo Antônio da Patrulha, Caraá, Rolante, Taquara, São Francisco de Paula, Jaquirana, Cambará do Sul, São José dos Ausentes, Timbé do Sul, Santana do Livramento, Rosário do Sul, São Gabriel, Cacequi, Dilermando de Aguiar, Santa Maria, Charqueadas, Triunfo, Montenegro, Nova Santa Rita e Capela de Santana -SC: Morro Grande, Nova Veneza, Siderópolis, Forquilhinha, Treviso e Urussanga


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