Cinco pensadores para revisar antes da prova de ciências humanas do Enem 2018


Da Grécia Antiga à pós-modernidade, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que será aplicado neste domingo (4) pode trazer questões que abordam diversos pensadores históricos. Por isso, a pedido do G1, o professor José Maurício Fonzaghi Mazzucco, que dá aulas de filosofia no Curso e Colégio Objetivo, selecionou cinco filósofos ou autores que podem aparecer na prova de ciências humanas – e inclusive em linguagens, ou até exatas.

São eles:

  1. Aristóteles

  2. René Descartes

  3. Immanuel Kant

  4. Maquiavel

  5. Karl Marx

Uma dica do professor para não cometer erros na prova objetiva, quando o assunto é sociologia ou filosofia, é driblar as possíveis pegadinhas do Enem. Segundo ele, só saber as frases ou conceitos do autor não garante a alternativa correta: é preciso prestar atenção na pergunta.

"O Enem cita uma frase de um autor, e ali ele vai propor uma pergunta. A resposta nem sempre é uma frase que parece representar o pensamento do autor. A resposta certa é aquela que responde à pergunta feita pela questão", explica Mazzucco

Para ele, a solução para evitar problemas nessa área é prestar atenção ao texto das alternativas, para encontrar a que se emenda melhor à pergunta e tenha ressonância no texto do enunciado. "Sabe aquela resposta que tem o sabor do texto, que usou as palavras semelhantes às do texto, e que responda à pergunta do texto? Essa é uma dica que eu dou sempre para os candidatos."

Veja abaixo as explicações do professor sobre os principais conceitos de cada pensador, e teste seus conhecimentos com questões sobre cada autor de edições anteriores do Enem:

1- Aristóteles

  • Filósofo que viveu na Grécia Antiga

  • É considerado o “pai da lógica”, conceito que nos acompanha até hoje

  • Foi discípulo de Platão, mas rompeu com conceitos de seu mentor, como o dualismo e a metafísica de Platão

  • Ele também acreditava na metafísica, mas era outra metafísica

  • Ao contrário de Platão, que não olhava muito para o mundo, Aristóteles olhou muito para a natureza

Segundo Mazzucco, Aristóteles é citado desde a Idade Média, desde o século XIII. "Ele é muito importante. Todo ano tem que estudar", alertou o professor.

Um dos conceitos de Aristóteles que tem chances de aparecer na prova é o silogismo, que, segundo o professor, é a ideia do pensamento dedutivo, indutivo, que trabalha com o raciocínio e a lógica.

Mazzucco deixa como palpite uma possível questão que dialogue com a filosofia e com a história da arte. Ele cita como exemplo o quadro “A escola de Atenas”, considerada a obra-prima do pintor renascentista Rafael.

"É uma obra belíssima”, afirmou o professor. “No centro dessa obra tem duas personagens. Um deles é Platão e o outro é Aristóteles. O Platão tinha ainda o rosto do Leonardo da Vinci, o amigo do Rafael. Mas o Platão está apontando para o céu, e o Aristóteles está com a mão apontando para baixo", explicou.

"E o que Rafael parece querer dizer é que precisa fazer um diálogo entre essas duas coisas. Uma filosofia que dialoga com o mundo, que está no mundo, e uma filosofia que é transcendente."

Mazzucco lembra que os demais personagens do quadro também são pensadores e que o corpo do filósofo retrata um pouco a sua filosofia. "Se está sentado, de pé... O aluno tem que prestar atenção nisso. Dá para fazer um curso inteiro só sobre esse quadro", disse ele.

2- RENÉ DESCARTES

  • Filósofo e matemático francês que viveu no século XVII

  • É o primeiro pensador da dualidade, ou seja, a ideia de que existe a realidade “pensante” e a realidade “material”

  • Considerado o “pai do pensamento moderno”

  • Sua frase mais famosa é “penso, logo existo”

  • Defende o “ceticismo metodológico”

A dualidade cartesiana, segundo o professor, está por trás da frase “penso, logo existo”, que se torno uma das mais célebres da história da filosofia. Mazzucco explica que ela significa uma defesa de Descartes à necessidade de as pessoas se identificarem com a “realidade pensante”, e não com a “realidade material”.

“Ele é um racionalista na área da epistemologia”, diz o professor. “Ele acha que o conhecimento está dentro do ser humano, dormente.” Por isso, segundo ele, as pessoas devem desconfiar de seus sentidos.

Ele dá como exemplo o céu. “Todo dia você olha para o céu e vê que o Sol nasce a leste e se põe a oeste. Aí você deduz que o Sol gira em torno da Terra. Mas não é verdade. Então, os sentidos enganam a gente.”

Já o conceito de ceticismo metodológico, segundo o professor, também está por trás da famosa frase. "Ele também é importante porque vai dizer que é preciso duvidar e libertar-se de tudo o que é ensinado", explicou Mazzucco. "Ele quer dizer: tenha um método de descrer antes de aceitar a verdade. Isso é importante para a ciência. Não existiria ciência sem Descartes."

3- IMMANUEL KANT

  • Filósofo da Prússia que viveu no século XVIII

  • Fez o que se considera uma “revolução copérnica” na epistemologia (a área da filosofia que estuda a forma como o ser humano produz conhecimento)