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Empresa que dedetizou prédio da UFSM atuou sem autorização para o serviço, diz Vigilância Sanitária


A empresa responsável pela dedetização no prédio da antiga reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) não tem autorização para fazer esse tipo de serviço, segundo informou nesta sexta-feira (26) a Vigilância Sanitária de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Nesta quinta (25), cerca de 20 pessoas precisaram de atendimento médico após uma dedetização no local. O prédio da antiga reitoria foi liberado na manhã deste sábado (26).

Segundo a Vigilância Sanitária, a licença de operação está com o prazo de validade vencido. O órgão vai pedir a suspensão dos serviços até que a situação seja regularizada. Além disso, faltam ainda duas licenças da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A empresa deveria fazer a diluição do produto químico dentro de um laboratório autorizado, o que, segundo a Fepam, a empresa não tem.

"Principalmente quanto à localização, distância de outras atividades, de residências, principalmente convívio humano. Que nada mais são do que produtos venenosos, são venenos, então eles têm que ser preparados num local separado", disse o coordenador da Fepam em Santa Maria, José Antônio Mallmann.

O prédio foi interditado na quinta, depois que as pessoas foram intoxicadas. Na manhã de sexta, quatro mulheres seguiam internadas no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).

Representantes da universidade não quiseram gravar entrevista. Eles disseram que o contrato firmado com a Sulclean em 2013 estabelece que o serviço de dedetização poderia ser prestado diretamente ou por um subcontrato, desde que a empresa tivesse as licenças adequadas. A UFSM abriu processo administrativo e apura o cumprimento do contrato. Se houver irregularidades, a empresa pode ser responsabilizada.

Por nota, a Sulclean, empresa responsável pela dedetização do prédio, disse que presta apoio aos colaboradores envolvidos, e que ajuda os órgãos de fiscalização e controle, para esclarecer o que ocorreu. A empresa já instaurou um procedimento interno para verificação dos fatos (veja a nota na íntegra abaixo).

Sobre a informação da Vigilância Sanitária, a empresa afirma que presta todos os seus serviços regularmente e atenta às exigências legais.

Perícia e investigação

Na manhã desta sexta, uma perícia foi realizada no prédio. O objetivo foi investigar o que aconteceu no interior da construção e identificar que medidas de segurança não foram adotadas. Participaram profissionais da Vigilância em Saúde e da Polícia Federal.

A PF já ouviu um representante da empresa responsável pelo serviço e abriu um inquérito para investigar o caso. Os envolvidos podem responder por lesão corporal ou crime contra a vida.

Pessoas passam mal

A dedetização foi feita nos sete andares do edifício, que é usado para aulas do curso de Odontologia da universidade, além de atendimentos na área da saúde e outros serviços. Alunos e professores haviam sido liberados, mas funcionários da empresa Sulclean foram orientados a permanecer no local durante o trabalho.

As pessoas que passaram mal precisaram ser levadas por ambulâncias do Samu e do Corpo de Bombeiros para pronto atendimentos e hospitais da cidade.

De acordo com uma encarregada da limpeza, que não quis se identificar, foi usado o mesmo produto nas outras ocasiões em que o prédio foi dedetizado, e nunca havia ocorrido problema. O cheiro do produto, desta vez, podia ser sentido da rua. A dedetização é realizada a cada seis meses, segundo a empresa.

A reitoria da universidade entende que houve descuido e manifesta preocupação com a saúde das pessoas. "A responsável, primeiro, é a empresa que fez o procedimento todo, porque ela foi contratada para isso. Na verdade, assim, houve descuido. Houve negligência. Quem é responsável por isso? Importa? Não importa muito, o que importa é como está a saúde das pessoas que sofreram agressão por parte desse agente desintetizante", diz o reitor Paulo Afonso Burmann.

Nota da Sulclean

Em relação aos acontecimentos ocorridos na manhã de hoje, 25/10/2018, nas instalações da UFSM - Prédio da Antiga Reitoria, a Sulclean Serviços Ltda. informa que está prestando todo o apoio aos colaboradores envolvidos, os quais passam bem e não tiveram qualquer risco à sua saúde.

Está também colaborando ativamente com todos os órgãos de fiscalização e controle, de forma a esclarecer o que ocorreu.

A empresa já instaurou um procedimento interno para verificação dos fatos.

Informamos que a empresa possui todas as licenças necessárias para a atividade, e que seus colaboradores possuem os treinamentos e equipamentos de proteção individual exigidos para a realização dos serviços.

Reforçamos, por fim, nosso compromisso com a qualidade dos serviços que prestamos, com especial atenção à segurança de nossos colaboradores e da sociedade em geral, como vimos fazendo ao longo dos mais de 25 anos de atuação.