• G1/RS

Pessoas confundidas com suspeitos de sequestrar crianças no RS relatam ameaças


O assassinato de uma menina de 9 anos no início dessa semana deu início a uma onda de boatos de sequestros de crianças no estado. Alguns casos trouxeram dor de cabeça para pessoas comuns, apontadas pelos autores das mensagens como sequestradores de crianças.

É o caso de uma mulher que mora em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, cujos dados pessoais e fotos foram compartilhados por mensagens de WhatsApp, que a apontavam como sequestradora.

"O povo está revoltado e com toda a razão, mas não estão tendo noção do que podem causar. Porque tem que saber primeiro se a pessoa é culpada", comenta ela, que não será identificada, por segurança.

A mulher descobriu que era alvo de boatos na última terça-feira (23), quando foi avisada por conhecidos de que uma foto em que aparece com o companheiro, o nome dos dois, endereço e placa do carro dela estavam sendo compartilhados com acusações de que seriam sequestradores de crianças.

Com os prints e as mensagens compartilhadas, ela foi até a Polícia Civil, no mesmo dia, para registrar boletim de ocorrência. Na noite, ao retornar para casa, ela encontrou pedras no pátio, que acredita terem sido atiradas por pessoas revoltadas. Para garantir sua segurança e das duas filhas, a mulher se mudou temporariamente para a casa de familiares.

Ela passou a não utilizar o carro, e teme pela segurança do companheiro, que precisa ir trabalhar de ônibus.

A foto compartilhada era utilizada na conta de WhatsApp da mulher. Os autores das mensagens relatavam que ela, que serve como socorrista voluntária em uma instituição de Gravataí, usava seu trabalho para se passar por médica, e escolher as crianças que seriam vítimas. Além dos dados da mulher, também foram divulgados endereços de outros membros da família dela. "Colocaram todos em risco", diz.

“Não tenho inimizade com ninguém. Não sei de ninguém que não goste de mim. Fica difícil de a gente imaginar que alguém possa fazer isso", diz a mulher.

Investigação na Região Metropolitana

O caso da socorrista é mais um dos registrados nos últimos dias em duas delegacias da Polícia Civil na Região Metropolitana, em Gravataí e Cachoeirinha. O delegado Newton Martins de Souza Filho, que responde por ambas, explica que as equipes estão ocupadas investigando tanto denúncias de tentativas de sequestro de crianças – nenhuma confirmada até o momento – quanto de pessoas alegando estarem sendo acusadas injustamente, que aumentaram nos últimos dias.

"Quem estiver veiculando esse tipo de mensagem também vai ser responsabilizado conforme o caso, calúnia, difamação, falsa comunicação de crime ou comunicação caluniosa", explica o delegado. Nas duas delegacias, ele contabiliza uma média de seis ou sete ocorrências desse tipo.

"Todo crime virtual acaba deixando um rastro, através do IP (número que identifica dispositivos usados para acessar a internet). E o que a gente não consegue por análise de informática, consegue chamando a pessoa para depoimento", detalha Newton.

O delegado avalia que a disseminação de boatos não é algo novo. "Me lembro de quando eu era criança, que havia boatos de balas com drogas no colégio", comenta Newton. "Esses casos estão sendo tratados de forma séria. Não posso dizer se é algo do inconsciente coletivo. Num futuro próximo, vamos chegar na origem [dos boatos]", avalia.

Boatos em Porto Alegre

Na quarta-feira (25), a Polícia Civil anunciou a abertura de um segundo inquérito relacionado ao caso da menina Eduarda Herrera de Mello, de 9 anos, encontrada morta na manhã de segunda-feira (22) às margens da ERS-118, em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O objetivo é investigar a divulgação de boatos e notícias falsas que vêm atrapalhando a investigação, e levaram duas pessoas inocentes a procurar a polícia relatando terem sofrido ameaças.

Segundo a polícia, um pai de santo de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, registrou ocorrência relatando ter sofrido mais de 150 ameaças, por ter sido comparado com o retrato falado do suspeito do sequestro de Eduarda, divulgado na segunda-feira. Na mesma cidade, um homem que trabalha como motorista de aplicativo também procurou a polícia relatando ter sido ameaçado pelo mesmo motivo.

As investigações do caso Eduarda estão em sigilo.

Fonte: G1 RS


14 visualizações

© Copyright 2019 Sentinela 24h. Desenvolvido por Gath Soluções