Pessoas com toxoplasmose reclamam da falta de medicamentos em Santa Maria


Pessoas que contraíram toxoplasmose não estão encontrando medicamentos para tratar a doença em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Logo após o surto ser descoberto na cidade, os órgãos públicos de saúde haviam garantido o tratamento para a população. Mas quem depende dos remédios relata problemas.

O Ministério da Saúde é responsável por destinar três dos cinco medicamentos necessários para o tratamento da toxoplasmose. Em junho deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação contra o MS para garantir a medicação.

Mas o ministério alegou que os medicamentos poderiam demorar até cinco meses para chegar a Santa Maria por causa de licitações. Como não poderia cumprir a determinação, seria da prefeitura e do Estado a responsabilidade de garantir a distribuição dos remédios.

Agora, o MPF solicitou ao Ministério da Saúde um novo posicionamento sobre a falta de medicamentos e notificou novamente a Prefeitura de Santa Maria e o Estado para que façam um levantamento sobre as condições atuais de estoque.

Grávida e com toxoplasmose, a vendedora Alessandra Saldanha precisa dos remédios para proteger Lucas, que deve nascer ainda em outubro. Só que ao chegar à farmácia do Estado, não encontrou medicação "Eu tive que comprar, é uma coisa essencial porque nada garante que meu bebê vai nascer 100%. Mas a medicação ameniza os danos, então é a única coisa que a gente tem para se apegar, é tomar medicação direitinho e rezar para dar tudo certo", relata Alessandra.

É o caso também da filha de 4 meses do militar Gerson Goulart. Ela nasceu com calcificações no cérebro por causa da toxoplasmose e pode vir a ter problemas neurológicos ou psicológicos. Por isso, para o bebê não ficar sem os medicamentos, o pai tem buscado os remédios em farmácias particulares. Mas o custo do tratamento é de quase R$ 200 por mês.

A secretária municipal de Saúde de Santa Maria, Liliane Duarte, informou que a prefeitura não tem responsabilidade nenhuma sobre a compra dos remédios e que, mais uma vez, vão retirar dinheiro do caixa único do município para comprar 40 mil comprimidos para suprir a demenda até que o estado reponha os medicamentos.

A previsão do Estado é que até quarta-feira (10) os medicamentos cheguem e sejam distribuídos. A Coordenadoria de Saúde disse que a falta de medicamentos ocorreu porque houve uma procura por remédios maior do que se esperava. O governo acrescentou que realizou uma "compra emergencial para atendimento das situações de urgência que envolviam principalmente as gestantes" (leia abaixo a nota na íntegra).

O Ministério da Saúde informou que já iniciou o processo de distribuição dos medicamentos e que na próxima semana o governo deve receber mais de 41 mil comprimidos de Sulfadiazina e Pirimetamina e até o fim do mês devem chegar um pouco mais de 12 mil comprimidos de Espiramicina. O estoque deverá suprir as necessidades do Rio Grande do Sul por três meses.

Nota do Estado do Rio Grande do Sul

Os medicamentos espiramicina, sulfadiazina e pirimetamina passaram na última RENAME para o elenco dos medicamentos estratégicos da Assistência Farmacêutica, onde as compras passaram para atribuição do Ministério da Saúde. Em razão do surto de toxoplasmose em Santa Maria, tendo em vista que o município não possuía estoque dos fármacos, que antes eram dispensados através da Atenção Básica, procedemos com compra emergencial para atendimento das situações de urgência que envolviam principalmente as gestantes.

Atá a presente data o Estado enviou para Santa Maria:

- 34.440 cp de espiramicina

- 6.000 cp de pirimetamina

- 32.850 cp de sulfadiazina

- 3.000 cp de ácido folínico

Não tivemos compra deserta de sulfadiazina, ácido folínico e espiramicina. Em agosto tivemos falta de ofertante na compra emergencial de um único medicamento (pirimetamina). Hoje a SES tem estoque de espiramicina, sulfadiazina e ácido folínico.

Até a próxima quarta-feira, o Estado irá receber a primeira remessa dos fármacos pelo Ministério da Saúde, medicamentos sulfadiazina, pirimetamina e espiramicina.


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