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Justiça suspende atividades de curso pré-militar no RS após denúncias de práticas abusivas


A Justiça determinou na tarde desta terça-feira (2), por meio de liminar, a suspensão imediata das atividades do curso "Comandos", realizado em Canoas e Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O pedido foi feito pelo Ministério Público após o surgimento de denúncias de práticas abusivas e torturas contra crianças e adolescentes.

Na ação, o promotor pede ainda o bloqueio dos bens do ex-militar responsável pelo curso, para que, em caso de condenação, haja patrimônio suficiente para indenizar as vítimas.

A defesa do instrutor informou na manhã desta quarta-feira (3) que o ex-militar esclareceu os fatos para o delegado. O advogado afirmou ainda que o cliente está disposto a ajudar no que for preciso e que eles aguardam agora a conclusão do inquérito.

O Facebook também será oficiado para que salve o conteúdo das páginas do ex-militar e de sua empresa em uma mídia eletrônica e, depois, tire do ar os perfis do site de redes sociais.

Relatos de tortura e maus-tratos

Dois adolescentes, de 13 e 16 anos, que eram alunos do curso, dizem ter sofrido abusos e agressões. Eles fizeram denúncia à Polícia Civil em Canoas, que instaurou inquérito para investigar o caso.

Um vídeo mostra parte do treinamento. Na área rural de Gravataí, os alunos aparecem vestindo uniformes e praticando atividades físicas. Mas segundo os adolescentes, os treinamentos iam além das corridas.

''Ele fez uma fogueira e mandou segurar uma lona em cima da gente. E no que a fogueira subiu, a lona derreteu fervendo na nossa cabeça", conta uma adolescente, sem se identificar. "Eu levei um tapa na cara, levei choque, spray de pimenta no rosto", diz o outro jovem, também com a identidade preservada.

Os jovens foram atraídos para o curso, que tem a divulgação feita por folders e pelas redes sociais, com o objetivo de se preparar para a carreira militar. A empresa promete preparação com atividades físicas e recreação. Tudo sob o comando de um ex-militar. De acordo com um dos alunos, ele se apresenta como comandante nacional de grupos pré-militares do Rio Grande do Sul.

Os relatos de agressão só vieram à tona um ano depois do ingresso dos adolescentes no curso. Jovens afirmaram ter sido ameaçados pelo instrutor caso contassem para alguém o que acontecia. Os pais começaram a desconfiar devido aos frequentes hematomas que apareciam no corpo dos filhos e decidiram pedir ajuda a Polícia Civil em Canoas.

A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Canoas abriu uma investigação contra o ex-militar, que já respondeu a outro inquérito por denúncias semelhantes feitas em 2014.

Por meio de nota, o Exército informou que o instrutor prestou serviço militar em 2013 e que o serviço obrigatório não habilita ninguém a oferecer qualquer tipo de treinamento.

Fonte: G1


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