Suspeito de participar de chacina em Canasvieira, é preso pelo SIPAC da Del. Regional da Policia Civ


Ação internacional resultou na captura. Na tragédia, 5 pessoas foram mortas, sendo 4 da mesma família e um gaúcho, de Caxias do Sul

Na tarde desta sexta-feira, 10 de agosto de 2018, agentes do Setor de Inteligência (SIPAC) da 12ª DPRI, com apoio da Divisão de Crimes Complexos da Policía de Rivera/ROU, prenderam temporariamente M. A. L., 21 anos, suspeito de ser um dos autores de uma chacina que vitimou 05 pessoas na praia de Canasvieiras, em Santa Catarina, no dia 05 de julho.

Por ocasião dos fatos, homens invadiram um apart-hotel naquela cidade, localizaram e amarraram todas as pessoas que ali estavam. Após, mataram todas as 05 pessoas, apontando o laudo preliminar como morte por asfixia em todas as vítimas. O modus operandi e a motivação do delito são investigados pela Polícia Civil de Santa Catarina.

A Del. Regional Ana Tarouco, que coordenou os trabalhos em Santana do Livramento/RS, destacou as dificuldades de se atuar numa zona de fronteira seca, mas ponderou que as dificuldades são amenizadas pela parceria estabelecida entre as Instituições policiais dos dois países. Ressaltou, também, a dedicação da equipe de inteligência da Delegacia Regional, a qual atuou ininterruptamente para a efetiva localização do suspeito. Ainda, que as ações de inteligência contaram com o irrestrito apoio da Divisão de Crimes Complexos da Policia de Rivera/ROU, bem como do Poder Judiciário daquele País.

O suspeito, agora, será recolhido ao presídio local e colocado à disposição da Justiça catarinense.

Saiba mais sobre o caso

A Polícia Civil ouve testemunhas e analisa os documentos apreendidos na investigação do caso da chacina ocorrida em um apart-hotel em Canasvieiras, em Florianópolis. Ninguém havia sido preso até as 18h30 desta segunda-feira (9). A principal linha de investigação é de que os cinco assassinatos tenham sido motivados por vingança e acerto de contas por causa de dívidas.

Os corpos foram encontrados na sexta (6). Quatro das vítimas eram da mesma família, enquanto a quinta pessoa era sócio delas. Os corpos estavam amarrados e de barriga para baixo. As vítimas ficaram oito horas sofrendo tortura psicológica até serem mortas por asfixia, segundo a Polícia Civil.

A Delegacia de Homicídios da Capital não informou o número de testemunhas que já foram ouvidas. Os documentos que estão sendo analisados são das vítimas, da empresa e de bens da família

Vítimas

Morreram na chacina o viúvo e empresário Paulo Gaspar Lemos, 78, e os três filhos dele: o empresário Leandro Gaspar Lemos, 44, Paulo Gaspar Lemos Junior, 51, que tinha deficiência intelectual, e a artesã Katya Gaspar Lemos, de 50. Com exceção de Leandro, todos moravam no apart-hotel. Os quatro da mesma família eram naturais de São Paulo.

A quinta vítima é Ricardo Lora, de 39 anos. O corpo dele foi enterrado no sábado (7) em Caxias do Sul (RS). As demais foram sepultadas na tarde de domingo (8) em Florianópolis.

Crime

Encapuzados e usando luvas, três homens armados chegaram ao apart-hotel, na Rua Doutor José Bahia Bitencourt, na tarde de quinta (5) e renderam seis pessoas. Os bandidos teriam chegado a procurar um cofre, mas não encontraram.

Uma das vítimas rendidas, funcionária do local, conseguiu fugir e acionar a polícia, que chegou ao estabelecimento por volta das 0h30, e encontrou os corpos. Havia gasolina espalhada pelos locais e não houve registro de disparo de arma de fogo.

Crime ocorreu em apart-hotel em Canasvieiras, Florianópolis (Foto: Thomas Braga/NSC TV)

Os criminosos roubaram do apart-hotel o aparelho de gravação do sistema de monitoramento. A polícia espera que câmeras de prédios próximos ao local possam ter registrado imagens que ajudem nas investigações.

Os dois carros que os assassinos levaram foram encontrados pela polícia e vão passar por perícia.

Suspeita de crime por vingança

A tese de vingança por causa de dívidas continua sendo a principal entre os investigadores. Em uma parede, os criminosos escreveram: “Minha família foi justiçada. Enrolaram muita gente. Chegou a hora deles”.

Em outra parede, a pichação era do número 171, o artigo do Código Penal para estelionato. Paulo era alvo de muitos processos de cobranças em Santa Catarina e em São Paulo. O Ministério Público paulista o investigou em quatro inquéritos civis sobre estelionato.

Família Lemos

A família Lemos era dona do apart-hotel, chegou a ter uma casa noturna em Florianópolis, uma produtora de eventos e tinha uma corretora de seguros no nome deles. Eles também eram proprietários de uma revendedora de carros em São Paulo.

Segundo a Polícia Militar, os integrantes da família não tinham passagens criminais ligadas ao tráfico de drogas em Santa Catarina. Paulo Gaspar Lemos chegou a responder por calúnia e difamação em Santa Catarina e Leandro Gaspar Lemos por apropriação indébita também no estado.

Paulo Gaspar Lemos Junior e Katya Gaspar Lemos não tinham passagens policiais em cidades catarinenses.

Fonte: G1


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