Bagé/RS: Polícia prende estuprador e encontra com ele objeto roubado da vítima


Na manhã de segunda-feira, uma mulher de 35 anos foi vítima de sequestro e estupro. O caso foi registrado na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), onde a vítima informou que estava deixando seu filho na escola, no centro da cidade, quando foi abordada pelo criminoso.

Ele foi identificado como Maico Ferreira da Silva, 28 anos, apenado do regime semiaberto. O autor era detento do Instituto Penal de Bagé (IPB) e será indiciado por roubo, sequestro e estupro. Silva, na terça-feira, foi conduzido ao Presídio Regional de Bagé (PRB), para permanecer em regime fechado.

A delegada titular da Deam, Carem Adriana Silva do Nascimento, além de enfatizar o trabalho da Polícia Civil (PC), Brigada Militar (BM), Instituto Geral de Perícias (IGP), Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), poder Judiciário e Ministério Público, orientou que não sejam divulgadas e publicadas fotos e informações em grupos do WhatsApp e redes sociais sem confirmações. Isso porque estaria circulando a foto de um indivíduo que não é o autor do estupro. Inclusive, ele esteve na delegacia para registrar ocorrência contra as pessoas que fizeram isso, pois estaria sendo acusado e nada teria feito.

Como aconteceu? Conforme a delegada, no caminho da escola, a vítima teria passado pelo acusado. “O que chamou a atenção dela é que estava frio e ele estava de camiseta de manga curta. Após deixar a criança na escola, ela foi até a rua José Otávio, onde o carro estava estacionado”, explica.

Quando a vítima chegou ao veículo, o criminosos atacou. “Ela ingressou no carro e foi colocar a chave na ignição. O investigado abriu a porta e ordenou que ela saísse do banco do motorista e a empurrou para o lado do carona. Ao mesmo tempo, o indiciado não deixou a vítima sair do carro. Segurou a porta e começou a ameaçá-la de morte, dizendo que teria uma faca e a mataria se ela tentasse fugir. Ele também subtraiu o telefone celular da vítima”, comenta.

Diante da situação, a mulher, com medo, apavorada, não teve condições de escapar. “Ele assumiu a direção do veículo e percorreu diversas ruas da cidade. Chegando próximo aos ‘fundos’ do bairro Laranjeiras, o criminoso foi até uma rua mais deserta e ali ele praticou o crime sexual. Em um certo momento, passou uma moça próximo ao local e ele saiu dirigindo o veículo, novamente, em alta velocidade e ameaçando a vítima de morte, dizendo que eles iriam morrer juntos”, relata a delegada.

A mulher só foi liberada próximo ao Residencial Charrua. “Ele parou o carro, arrancou um anel da mão esquerda da vítima, que inclusive foi encontrado no bolso dele quando realizamos a prisão, e saiu caminhando a pé. A mulher pegou o carro e foi até seu local de trabalho, onde acionou a Brigada Militar, que, prontamente, se deslocou e conduziu a vítima até a Deam. Registramos a ocorrência, colhemos o depoimento e seguimos tomando as medidas cabíveis”, salienta.

Procedimentos Logo em seguida, a vítima foi encaminhada ao Posto Médico Legal. “Ela foi atendida pelo médico perito que confirmou a materialidade do delito. Depois, começamos as diligências para identificar a autoria e também acompanhamos a vítima ao Serviço de Atenção Integral à Sexualidade (Sais) para as devidas medicações. Todas as vítimas de violência sexual devem ser encaminhadas ao Sais. Acionamos o IGP, a papiloscopista compareceu e fez as análises”, destaca.

A partir daí, seguiram as investigações para descobrir a autoria. “O crime aconteceu de manhã, e à noite nós conseguimos descobrir a autoria. A vítima reconheceu o acusado. Ele estava no regime semiaberto. Saiu do IPB às 7h e às 8h ele cometeu o crime. Diante das informações, solicitamos ao plantão do poder Judiciário que ele fosse conduzido até a Deam para o reconhecimento pessoal. A vítima não teve dúvidas. De imediato, representamos pela prisão preventiva e mandados de busca e apreensão, que foram rapidamente decretados”, completa Carem.

A delegada Carem enfatiza o trabalho integrado dos órgãos competentes. “A Brigada Militar também foi incessante na busca da autoria e trabalhou muito para solucionar o caso. Também o IGP. Contamos com apoio de agentes da Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Decrab). Todos os profissionais da segurança pública e da comunidade foram solícitos. O caso gerou indignação. Foi um crime hediondo, bárbaro. Todos querem a punição. O trabalho foi conjunto. Nossa equipe da Deam 'pegou junto'. O Judiciário e o Ministério Público deram respostas rápidas para que conseguíssemos que ele já ficasse detido”, garante.

Como Silva era detento do semiaberto, a delegada solicitou a sustação da saída e a condução coercitiva dele até a Deam. Todas as medidas foram tomadas e o passo a passo realizado. “Após a BM trazer a vítima à delegacia, nós já encaminhamos aos médicos. Cabe ressaltar que em crimes sexuais não se deve tomar banho. Ela foi encaminhada para o exame de corpo de delito e, após, ao Sais. O quanto antes tomar a medicação pertinente, melhor. O médico do Sais ainda me disse que isso é uma emergência médica. Não tomar banho é para que sejam coletados os vestígios. Podem ter fluidos do acusado no corpo da vítima”, conclui.

A delegada explica que as câmeras de videomonitoramento das ruas foram essenciais para ajudar na identificação. “Fomos até a BM e conseguimos as imagens, o que facilitou as investigações”, destaca.

Fonte: Folha do Sul


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