Questões de concurso público da Brigada Militar serão avaliadas por suspeita de parcialidade


nunciados da prova intelectual do concurso público da Brigada Militar levantaram questionamentos e serão avaliadas por uma comissão jurídica da própria instituição, segundo comunicado emitido pela corporação. A BM cogita anulação de questões polêmicas. Leia abaixo a nota completa.

Em uma das questões, por exemplo, é solicitado que o candidato responda o nome do secretário titular da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul na época do lançamento do concurso, que vai selecionar mais de 4 mil policiais.

Já outra, ao questionar fatos decorrentes de um homicídio na capital, em 2016, afirmou que o crime gerou uma revolução na área.

Temas como o abate de cervos do Pampas Safari, o fechamento da exposição Queermuseu pelo Santander Cultural e medidas do governo Temer também são mencionadas.

A maneira com que as questões foram apresentadas provocou críticas. Nas redes sociais, usuários se manifestaram contra a prova, apontando que as questões, como foram colocadas, indicariam tendência política e imparcialidade.

Questão 43 aborda crime que culminou com queda de secretário em meio a uma crise na segurança (Foto: Arquivo Pessoal/Bruna Cardoso )

A Brigada Militar investigará se estas questões violam de alguma forma o princípio de impessoalidade, e por isso determinou a avaliação jurídica. Uma reunião com a empresa que lançou o certame, a Fundatec, é realizada nesta segunda-feira (18), em Porto Alegre.

O próprio secretário estadual de Segurança, Cezar Schirmer, que é citado na prova, solicitou "explicações convincentes" ao Comando da Brigada Militar a respeito das questões.

Em entrevista na manhã desta segunda-feira (18) à Rádio Gaúcha, o presidente da Fundatec, Carlos Henrique da Cunha Castro, informou que o conteúdo da prova foi elaborado com base na determinação do edital, por uma banca especializada. Na visão dele, não há nenhum tipo de direcionamento político nas questões, e que não seria o caso da anular a prova.

As informações cobradas pela prova, diz Cunha Castro, se enquadram no padrão de conhecimentos gerais. O G1 tentou conversar com o presidente da empresa, mas ele estava em reunião e ficou de atender durante a tarde.

Uma da candidatas, a bióloga Bruna Cardoso, demonstrou descontentamento com as questões. Ela se preparou para perguntas mais amplas sobre conhecimentos gerais e atualidades. "Achei que fosse cair algo sobre o desastre de Mariana, ou sobre a febre amarela", aponta ela, que ainda não sabe se acertou ou não as questões que estão sendo discutidas.

Outra questão, sobre o Queermuseu, postula que o fechamento da exposição se deu porque as obras "faziam apologia à pedofilia e à zoofilia" (Foto: Arquivo Pessoal/Bruna Cardoso )

Nota da Brigada Militar sobre o concurso

A Brigada Militar, acerca do conteúdo das questões da prova intelectual, aplicada aos postulantes ao ingresso na carreira policial militar de nível médio no dia de hoje, vem a público esclarecer que a empresa responsável pelo certame, Fundatec, contratada nos termos da lei nº 8.666/93, é responsável exclusiva pela condução da prova intelectual em todas suas fases: elaboração, aplicação e correção; sendo igualmente a única responsável pelos textos e situações concretas utilizadas na formulação das questões.

A Brigada Militar, em observância ao princípio da imparcialidade, mantém-se apartada dessa fase do concurso. O Comando da corporação determinou avaliação jurídica quanto à viabilidade da anulação de questões que, de alguma forma, violaram o princípio da impessoalidade.

Concurso da Polícia Civil também é da Fundatec

Mais um concurso da Secretaria de Segurança Pública, desta vez para a Polícia Civil, será realizado, com inscrições abertas a partir de terça-feira (19). Serão 1,2 mil candidatos selecionados para compor os quadros da corporação. Este concurso também está sob responsabilidade da Fundatec.

O edital pode ser conferido na internet. As inscrições vão até o dia 19 de janeiro de 2018.


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