Gravataí: Uruguaio, candidato a frade, é suspeito de oferecer dinheiro em troca de sexo com jovens


A mãe que denunciou um homem de 42 anos por pedofilia em Gravataí, na Região Metropolitana contou que a desconfiança de abuso surgiu quando Walter Frederico Garcez chamou seu filho de 16 anos de "sensual" em um comentário no Facebook, em 8 de novembro. Ela conseguiu que ele fosse preso no sábado (18) pelo crime de "favorecimento de prostituição de menores".

O adolescente, constrangido, mostrou o comentário para sua mãe antes de apagá-lo. Uma semana depois, o assédio voltou a acontecer da mesma maneira: "gostosinho esse menino", escreveu o homem.

A cabeleireira de 31 anos, mãe de outros quatro filhos, sentiu-se incomodada com a situação e chamou Garcez — que na rede social se apresenta como Nicolau Matescu — para uma conversa no Facebook, mas não obteve retorno e ainda foi bloqueada pelo suspeito. Em conversa com o filho, ela o orientou a contatar Garcez no bate-papo e a trocarem números de celulares para que a conversa continuasse no WhatsApp. Em vez do seu, o adolescente forneceu o telefone de sua mãe.

A cabeleireira mudou a foto do perfil por uma de seu filho e pediu que o menor enviasse um áudio a Garcez, para eliminar qualquer desconfiança do suspeito. Começaram, então, a conversar. Ela, se passando por seu filho, guardou todas as mensagens para utilizá-las como prova no momento da denúncia.

— No início meu filho não queria, mas expliquei que esse homem não passava de um pedófilo e que podia estar fazendo coisas bem piores com outras crianças. Então, ele aceitou me ajudar — relata.

Nas conversas, o suspeito diz ter abusado de crianças de quatro e nove anos e que se aproxima das vítimas ganhando a confiança delas. "Menino carente aceita afeto de adulto", diz em um trecho. Além disso, incentivava o adolescente a masturbar seu primo de seis meses. Pensando estar conversando com o menor, ofereceu R$ 150 para cada amigo entre 12 e 16 anos que entrasse em contato com ele. A recompensa subiria para R$250 para cada um que aceitasse transar. "Confio em você. Leva quem quiser... sendo novinho. Faz tempo que eu não saio com garoto. Medo", escreveu.

Em seguida, complementou: "não vai se arrepender... 100 cada guri que me fizer contato por fone. 250 se rolar".

A mãe diz não ter medo de exposição e nem a pretensão de "virar heroína" ao denunciar o abusador e ajudar a prendê-lo, mas tem certeza de que contribuiu para que outras famílias não sejam afetadas desta maneira.

— Sei que não posso mudar o mundo, mas também sei que com a minha atitude modifiquei a história de algumas crianças. Preservei traumas e consegui fazer alguns pais prestarem um pouco mais de atenção nos seus filhos. Às vezes a correria do nosso dia a dia não nos permite ver coisas ao nosso redor. Eu, por exemplo, tenho cinco filhos de idades diferentes, do adolescente ao bebê. Trabalho, cuido da casa sozinha. Com certeza, se um psicólogo me dissesse "mãe não precisa faltar ao trabalho, eu levo ele na consulta", ainda mais sendo uma pessoa "do bem', que ajuda uma comunidade e faz ótimos serviços a ela, eu deixaria ele levar — desabafa.

Conforme a Polícia Civil, o homem é aspirante a frade e trabalha como psicólogo em paróquias e escolas de Gravataí, inclusive na que o adolescente estuda. Por isso, a mãe procurou a escola e o Conselho Tutelar. A reportagem tenta contato com o Conselho Regional de Psicologia para confirmar seu cadastro junto à instituição.

No sábado, fingindo ser o filho, a cabeleireira marcou um encontro em uma paróquia de Gravataí, momento em que o homem foi preso em flagrante pela Brigada Militar. Depois, foi levado para a Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento da cidade. Na unidade, a delegada Marlova Michele Guedes confirmou o flagrante. Ela afirmou que não há fiança para o crime e que ele continuará preso, mas por motivos de segurança não informou para qual presídio ele seria encaminhado.

O suspeito ainda foi levado para o Instituto-Geral de Perícias (IGP), em Porto Alegre, para que seu nome fosse confirmado. Na ocorrência policial, o homem foi identificado como Walter Frederico Garcez, nome registrado no Uruguai. No entanto, a delegada afirma que o preso é da Romênia e originalmente registrado no país como Nicolau Matescu. Ele preferiu não prestar depoimento, mas disse a investigadores que seu celular havia sido clonado e sua conta no Facebook, hackeada. O flagrante foi homologado na tarde deste domingo (19) e convertido em prisão preventiva pela Justiça. Havia receio de que homem pudesse deixar o país.

Em nota assinada pelo ministro provincial da Província São Francisco de Assis, frei Inácio Dellazari, a paróquia diz que "os Franciscanos do Rio Grande do Sul estão perplexos com o ocorrido, na manhã deste sábado (18/11), envolvendo um candidato a frade (aspirante) à vida franciscana. A Província Franciscana reforça que está em sintonia com as normas da Igreja e as orientações do Papa Francisco, e jamais admitirá entre seus membros, alguém com esta conduta. A Instituição vai acompanhar a investigação e apoia o fato dele ser colocado à disposição da justiça. A Província pede perdão às famílias envolvidas e à comunidade de Gravataí pelo ocorrido e manifesta total repúdio por casos de pedofilia e tolerância zero para estes tipos de caso, pois vai contra todos os nossos valores de promoção e proteção à família".

O artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente diz que submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual resulta em reclusão de quatro a dez anos e multa.

Fonte: Zero Hora


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