Banco de Pele de Porto Alegre disponibiliza estoque para feridos do incêndio em creche de MG


Um dos mais antigos do Brasil, o Banco de Pele da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre colocou à disposição do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, todo o estoque disponível para ajudar no tratamento das vítimas do incêndio em uma creche localizada na cidade de Janaúba, em Minas Gerais, na quinta-feira (5). No ataque, provocado por um vigia, cinco crianças, uma professora e o próprio autor morreram.

As doações são medidas por centímetro quadrado. "A gente tem um certo estoque de pele agora, de cerca de 7 mil cm². Tudo isso deve ser enviado a Minas. Assim que essas crianças estiverem tratadas, bem equilibradas, para passar por um procedimento delicado que é o transplante, nós vamos enviar essas peles. Estamos de prontidão para isso", afirma ao G1 o cirurgião Eduardo Chem, chefe da unidade.

Segundo a Polícia Militar, na manhã de quinta-feira (5) o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, jogou álcool nas crianças e em si mesmo e, em seguida, ateou fogo. Sete pessoas, inclusive ele e uma educadora, de 43 anos, morreram.

Outras crianças e funcionários da creche ficaram feridos no ataque. Ao todo, 38 pessoas permanecem internadas em hospitais de Montes Claros, Janaúba e Belo Horizonte. Entre elas, estão 22 crianças.

Duas funcionárias da creche, que estão em estado grave, foram transferidas de helicóptero de Janaúba para Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (6). O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, também recebeu na madrugada mais quatro crianças feridas.

A unidade é referência no estado em tratamento de queimaduras. Ao todo, há 11 pessoas internadas em Belo Horizonte, sendo 9 no João XXIII, em estado grave.

O enxerto de pele é usado para o tratamento de grandes queimados, principalmente crianças, ou de traumas graves. "O ideal é retirar o tecido morto, que é a necrose, o mais precoce possível e depois cobrir essas feridas. Uma das alternativas é cobrir com a pele sã, que é o enxerto, que a gente chama. Pode ser da própria pessoa ou deve-se introduzir essa pele doada, que deve ser o caso com as crianças vítimas desse incêndio", detalha o cirurgião.

Fonte: G1/RS


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