Santa Casa enfrenta problemas financeiros que prejudicam o atendimento ao público


A Santa Casa de Misericórdia de Santana do Livramento foi inaugurada no dia 20 de setembro de 1903. Desde a sua abertura ela busca dar a melhor assistência possível na saúde à comunidade santanense. Apesar desse objetivo, o hospital sempre enfrentou

diversas dificuldades estruturais e financeiras. Com base nisso, em 2001, Geraldo Stavie, pertencente à mesa administrativa do hospital na época, sugeriu e apoiou o Grupo de Voluntárias da Santa Casa. O Grupo foi de grande ajuda ao hospital e conseguiu repor materiais de consumo, toalhas, lençóis e diversos aparelhos com a realização de leilões e briques. A ajuda das voluntárias foi muito bem-vinda para a Santa Casa, porém, problemas financeiros seguem prejudicando o atendimento e assistência que deveria ser feita da melhor forma possível para a comunidade.

Também em busca de auxiliar e melhorar a condição do hospital, a Santa Casa possui alguns projetos. Um deles é o Programa Hospital com mais Saúde, uma parceria com a AES Sul, onde ela cumpre seu compromisso de responsabilidade social para melhorar as instalações do hospital. Nessa parceria, a Santa Casa possui a responsabilidade de divulgar o convênio na comunidade, publicar e prestar contas à comunidade das arrecadações do programa e promover a manutenção e mobilização da contribuição espontânea. Já a AES Sul possui a responsabilidade de prover informações que contribuam para a redução da fatura de energia do hospital e informar mensalmente ao hospital os valores arrecadados. Outro projeto é o Troco Amigo, uma parceria com a rede de farmácias Panvel. O programa teve início em 2012 e funciona em Livramento, Rosário do Sul e Quaraí. Trata-se da contribuição da comunidade com o troco das compras feitas na farmácia. Em 2014 a arrecadação foi de R$18.664,07.

Cleonice Pereira Gonçalves, 43 anos, é Secretária de Faturamento na Santa Casa há 11 anos. Ela diz que o hospital é um ambiente de trabalho agradável e compensador, mas que também possui problemas. Um deles é que, por conta das poucas verbas, não é possível concentrar salas com climas favoráveis para todos os funcionários. "Isso, na minha opinião, é desgastante" ela completa. Outra mazela é que no momento os funcionários estão em greve por falta de pagamento e cumprimento dos seus direitos. Claramente isso ocasiona um enorme desfalque no atendimento da Santa Casa, entretanto a luta dos funcionários é fundamental para a evolução e melhoria dos serviços do hospital. Pensando em como melhorar a situação atual da Santa Casa, Cleonice sugere eventos promovidos por funcionários ou simpatizantes que gerem renda para a entidade, como por exemplo: briques, feiras gastronômicas, jantares. Outra ideia que ela dá é o trabalho de reciclagem com latinhas, garrafas pets e papelão, que poderiam ser transformados em renda. Ela comenta que mesmo durante a greve os pacientes não estão desamparados.

"Atualmente a situação da nossa Santa Casa é crítica, mas temos esperança de que tudo melhore," finaliza Cleonice.

Paola de 23 anos, precisou buscar o atendimento do pronto socorro da Santa Casa quando seu marido começou a apresentar dores na lateral do abdômen. Apesar de ter achado o atendimento bom, reclama muito do tempo de espera. "Demora muito, muito... Aqui dentro só tem uma pessoa para atender e de vez em quando ele sai e volta" reclama Paola. Para ela, o grande problema do hospital é a falta de pessoas para atender o público.

"É uma falta de respeito, tem um monte de gente esperando. Aqui dá para ver, tem uma fila enorme".

Ela conta que chegou ao pronto socorro às 9 horas e 30 minutos, e seu marido só foi atendido perto das 11 horas. Também ali na emergência havia um senhor de mais de 60 anos, que, de acordo com Paola, estava esperando desde que ela havia chegado e ainda não tinha sido chamado. O senhor não quis dar entrevista porque se encontrava com muita dor e mal-estar.

Além da falta de profissionais da saúde para atender a grande demanda de pacientes, o hospital também enfrenta um grande problema de estrutura. Ali no pronto socorro não há espaço suficiente para todos os pacientes esperarem sentados durante horas. A maioria é forçado a esperar pelo atendimento de pé e muitas vezes ainda do lado de fora do hospital. Mas qual a justificativa para essa situação? É simples: quando os funcionários da entidade começam a não receber seu salário e direitos, não só a greve acontece, mas também muitos deixam de querer aquele trabalho. Falta profissionais da saúde que queiram se submeter a essa situação.

E o que está sendo feito para solucionar isso? Não foi possível realizar uma entrevista com o prefeito da cidade para podermos buscar todas as respostas que procuramos, por conta de sua agenda e viagens, mas, de acordo com o presidente do Sindisaúde, Silvio Madruga, as coisas estão se ajeitando. Eles possuem um ótimo diálogo com o prefeito, e de acordo com o que foi tratado em reunião na terça feira (24), será pago os 40% do mês de novembro e o mês de dezembro para os funcionários, que estaria atrasado. Com base nisso os grevistas decidirão se é necessário ou não dar continuidade à greve.


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